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Iamuricumá
A Festa das Mulheres


                  Os índios Kamayurá, do Parque do Xingu, contam que antigamente havia a aldeia das Iamuricumá. Um dia os homens desta aldeia saíram para pescar e demoraram muito para voltar.

                  Passou uma lua até que um jovem foi ver o que tinha acontecido. Ele descobriu que os homens estavam se transformando em bichos. Alguns viraram porcos e outros bichos do mato.

                  O jovem voltou à sua aldeia e contou o caso para sua mãe. Ela reuniu todas as mulheres e decidiram deixar aquele local, antes que seus maridos retornassem. As mulheres vestiram os enfeites que só os homens podiam usar e pintaram-se como eles. Algumas mulheres começaram a cantar e foram subindo, subindo até alcançarem o teto de suas casas. Lá ficaram cantando e dançando por dois dias.

                  As mulheres passaram um veneno no corpo e se transformaram em espíritos. Por isso é que até hoje, no local onde vivem as Iamuricumá, não se pode tirar raiz, planta ou caçar; ou o índio enlouquece e desaparece para sempre.

                  As mulheres agarraram um velho, colocaram duas pás de fazer beiju no lugar das mãos dele e o transformaram em tatu. O velho disse: "Agora não sou mais gente. Sou tatu", e começou a cavar um túnel. As mulheres o seguiram.

                  As mulheres das outras aldeias em que as Iamuricumá passavam, resolviam se juntar ao grupo e continuavam viajando, viajando sempre. Ainda hoje, as Iamuricumás caminham, sempre enfeitadas e cantando, viajando dia e noite, armadas de arco e flecha. Não possuem o seio direito, para melhor manejá-los.

                  Nas aldeias do Alto Xingu, as mulheres fazem festa para as Iamuricumá até os dias atuais. Nos dias da festa os homens têm que obedecer a todas as vontades das mulheres.


Fonte : Boletim de Histórias Iandé - Março 2007


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