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Xetá

                   - Xetá - Uma etnia em extinção
Contatados na década de 50, os Xetá caminham, a passos largos para a extinção, como povo etnicamente diferenciado. Eles somavam, nos anos 1957/59, quando foram contatados na Serra de Dourados, no Paraná, entre 200 e 250 pessoas. Eram nessa época, índios que ainda trabalhavam com machado de pedra e outros artefatos líticos. Hoje, passados 57 anos, restam apenas sete. Eram oito, até último dia 11 de junho. Nessa data, morreu Inguacá, ou Tucanambá José Paraná, como foi nominado por servidores do extinto Serviço de Patrimônio Indígena (SPI). Tuka, como era carinhosamente chamado, era remanescente ainda do primeiro contato. Servidor da Funai, ele tinha diabetes e morreu com 56 anos.

                   - O caminho sem volta
Com a morte de Tucanambá, restaram apenas Ticoen Xetá, Maria Rosa Aãm Xetá, Rondon Xetá, Coen Xetá, Maria Rosa do Brasil Tiguá, Ticoen Xetá e Ana Maria Xetá. E nenhum desses remanescentes casou com parceiros da mesma etnia. As uniões foram feitas com indígenas das etnias Kaingang e Guarani, e também com não-índios, sendo, por conseguinte, mestiços os filhos gerados, o que decreta a extinção do grupo, como sociedade.

13/06/2007 - Mais um Xetá morre distante de sua terra - Tukanambá José Paraná, conhecido popularmente por Tuka, faleceu, nesta última segunda-feira, 11, aos 60 anos de idade, por insuficiência respiratória. Vítima de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e de uma forte pneumonia, após 18 dias de internação no hospital Evangélico de Curitiba, Tuka não resistiu e faleceu.



Bichinhos confeccionadas com cera de abelha, índios Xetá
(feitos para as crianças brincarem);
Coleção do Museu Paranaense



Era uma manhã, em dezembro de 1954. Na Fazenda Santa Rosa, noroeste do estado do Paraná, o administrador da propriedade preparava-se para mais um dia de trabalho. O mercado de café estava em alta e gerava grandes riquezas para o país. Cinco anos antes, esta região conhecida como Serra dos Dourados era isolada e coberta por uma floresta impenetrável, que foi cortada para se plantar café.

O jornal O Estado do Paraná publicou nesta época: "(...) trabalha-se, luta-se e mata-se por um punhado de terra que sirva para a plantação de cafezais. (...) a madeira não interessa, queima-se a floresta para facilitar os loteamentos..."

Aquela manhã parecia exatamente igual às outras. Só parecia. Seis homens nus saíram da floresta e entraram na fazenda. Eram índios Xetá. Não carregavam arco e flecha, o que demonstrava que vinham em paz. Naquele local, os Xetá estabeleceram o primeiro contato pacífico com os homens brancos.

Os primeiros não-índios que chegaram à área, alguns anos antes, já diziam que encontraram índios isolados. Mas os índios sempre se escondiam dos homens brancos. Um índio adulto chegou a ser capturado por agrimensores mas fugiu. Dois meninos indígenas também foram sequestrados na mesma época. Um deles era Tukanambá Xetá, que morreu em 2007.

Um ano após o contato, o governo e a Universidade Federal do Paraná organizaram uma expedição e encontraram alguns índios vivendo já próximos à Fazenda Santa Rosa. Das informações recolhidas nesta época, estima-se que havia 250 índios na região. Depoimentos dos Xetá sobreviventes indicam que seu povo era mais numeroso e vivia em pequenas aldeias, porém os conflitos forçaram os índios a abandonarem suas aldeias e permanecerem em movimento constante, fugindo dos brancos e em busca de alimento, e vivendo em moradias temporárias.

Nesta época, o dono da Fazenda Santa Rosa, que era deputado, propôs a criação de um Parque que servisse de morada para os índios Xetá.

Outras expedições foram organizadas nos anos seguintes. Em 1956 encontraram-se dois grupos vivendo nos fragmentos de floresta que permaneciam em pé. No fim do mesmo ano porém, Nhengo, um jovem índio de um destes grupos foi encontrado sozinho. Seu grupo havia sido massacrado por homens brancos armados.

Nos anos seguintes, aumentou a destruição da mata e das aldeias por queimadas dos homens brancos. Em 1961 já não havia mais florestas e as reservas de mata tornaram-se propriedades particulares. Finalmente em junho de 62, o periódico O Jornal publica: "Lavradores sem terras destroem impiedosamente os remanescentes da tribo Xetá no noroeste do estado. Consta que várias crianças foram sequestradas...".

Os índios que sobreviveram foram as várias crianças raptadas durante aqueles últimos 10 anos. Elas cresceram separadas, criadas por famílias de homens brancos ou em diferentes postos indígenas. As notícias sobre os Xetá publicadas desde então referem-se quase sempre à morte de algum destes sobreviventes.

Os seis índios Xetá que decidiram se aproximar dos homens brancos pela primeira vez, chamavam-se Iratxameway, Ajatukã, Kuein, Manhaai, o adulto Eirakã e o jovem Eirakã. O administrador da fazenda que os recebeu chamava-se Antônio.

Fonte : Iandé, Boletim n° 27 - janeiro/2008


Os últimos dos Xetá. Kuein.
Setembro de 1975 (Agência O Globo)

Para saber mais:
- visita ao Museu Paranaense, em Curitiba (acervo de peças Xetá e fotos das expedições de contato)
- Quem são os Xetá; CD-Rom produzido pelo Museu Paranaense, Secretaria da Cultura do Paraná e CELEPAR (Companhia de Informática do Paraná)
- O Homem Índio Sobrevivente do Sul; por Silvio Coelho dos Santos