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Kayapó

Explorando a riqueza existente nos 3,3 milhões de hectares de sua reserva no sul do Pará (especialmente o mogno e o ouro), os Kayapós viraram os índios mais ricos do Brasil. Movimentaram cerca de US$15 milhões por ano, derrubando, em média, 20 árvores de mogno por dia e extraindo 6 mil litros anuais de óleo de castanha. Quem iniciou a expansão capitalista dos Kayapós foi o controvertido cacique Tutu Pompo (morto em 1994). Para isso destituiu o lendário Raoni e enfrentou a oposição de outro Kayapó, Paulinho Paiakan.


1. Introdução

Em maio de 2007 uma notícia incomum foi veiculada na mídia: descobriu-se, no sul do Pará, um grupo de 87 índios sem contato com os homens brancos.
Estes índios, todos da etnia Kayapó, viviam em uma área de floresta fechada e fugiam quando percebiam a aproximação de não-índios (garimpeiros, madereiros e grileiros). Fizeram assim por muito tempo, porém a mata em que podiam se esconder foi acabando e estes índios decidiram procurar abrigo em uma outra aldeia kayapó, a aldeia Capoto, onde vivem índios que já mantém contato com os homens brancos há algumas décadas.
O encontro entre os Kayapó da floresta e os Kayapó da aldeia Capoto deve ter sido comovente. Os da aldeia julgavam que seus parentes haviam sido mortos já há muito tempo e os receberam com alegria. Os mais velhos devem ter conversado sobre tempos antigos e os índios da aldeia devem ter falado sobre algumas coisas do mundo dos não-índios.

Para saber mais:
- Reportagens sobre os índios Kayapó isolados:
a-) na Agência Brasil
b-) na Folha Online
b-) no Diário de Cuiabá
c-) no Estado de São Paulo

2. Índios Kayapó

amre-bé (*)

Não se sabe exatamente o que aconteceu naquele dia, na aldeia dos índios Mebêngokrê (também chamados Kayapó ou Txukarramãe por seus inimigos). É provável que todos os homens adultos tenham se reunido na casa central da aldeia para solucionar um grave problema: um grupo daqueles homens de pele muito clara invadira novamente o território dos Mebêngokrê. O que fariam os índios ?
A reunião demora, pois muitos homens querem falar. Um grupo defende que os Mebêngokrê devem atacar os homens pálidos, matá-los e ponto.
Um dos índios mais velhos argumenta que já fizeram isso no passado e nada adiantou, cada vez aparecem mais daqueles homens esbranquiçados. Este velho lembra de histórias antigas, que ouviu quando criança, do tempo em que os Mebêngokrê viviam entre dois grandes rios, foram atacados por muitos daqueles homens brancos e tiveram que fugir na direção em que o sol morre.
Um outro homem, com um largo botoque em sua boca, esbraveja que o brancos estão unidos com os índios Juruna, inimigos dos Mebêngokrê. Seu sobrinho porém, que esteve espionando o acampamento dos homens brancos, opina que desta vez está parecendo que eles não querem briga. Este jovem diz ainda que os Mebêngokrê não podem continuar fugindo para sempre. Outro velho lembra das doenças terríveis que os brancos trazem.
Não se sabe exatamente o que foi dito, mas é provável que a discussão tenha continuado por horas a fio...
Por fim, um dos líderes lembra da origem dos homens brancos: eles são filhos de uma lagarta que se uniu a uma índia Mebêngokrê e acabaram sendo expulsos da aldeia. Se são filhos de uma índia devem possuir um resquício de humanidade. Talvez os brancos não sejam tão selvagens quanto parecem. Os índios decidem fazer contato com os homens brancos: - "Vamos ouví-los e ver o que eles querem". E assim termina a reunião e todos voltam para suas casas.
Um dos índios chegou muito preocupado em sua casa. Era um homem valente, porém sabia que as armas dos não-índios são mortais. Este guerreiro conhecia a história dos Irã'a mrayre, um grupo de índios Mebêngokrê "que viajavam em terreno limpo", e pensou assim:
- Os Irã'a marayre ficaram em suas aldeias e esperaram os não-índios. Isto aconteceu um pouco antes do meu nascimento. Em pouco tempo, já não havia a aldeia dos Irã'a marayre e só homens brancos viviam naquele lugar. Os índios Irã'a marayre desapareceram. Não foram para outro lugar não, só deixaram de existir.
Não se sabe exatamente o que aconteceu, mas é provável que ao chegar em casa aquele índio tenha falado com sua esposa, filhas e genros: a aldeia decidira encontrar com os homens brancos mas ele não concordava e iria embora. Quem quisesse que viesse junto, e alguns dias depois um pequeno grupo de índios Mebêngokrê deixou a aldeia em direção ao norte. Por 50 e poucos anos não se ouviu mais falar deles.
Os Mebêngokrê que permaneceram na aldeia encontraram os homens brancos, entre eles os honrados irmãos Villas Bôas. Descobriram que os brancos são muito variados: pode-se confiar em alguns, porém outros têm duas bocas e suas palavras de nada valem. Os índios tiveram que lutar muito pelo local onde vivem e ainda o fazem. Um de seus líderes, Raoni - que era um jovem na época do encontro entre índios e não-índios, andou por lugares distantes e ensinou muito aos Mebêngokrê sobre o comportamento dos brancos.
Não se sabe exatamente o que aconteceu com os Mebêngokrê que deixaram a aldeia durante o tempo em que estiveram na mata. É provável que tenham fugido várias vezes durante este tempo. Do sul, com regularidade espantosa, os homens brancos destruíram grandes áreas de floresta onde soltaram bois e plantaram soja. Do norte, outros homens brancos simplesmente cortaram árvores e as carregaram ou então fizeram gigantescos buracos na terra, sem plantar nada. De repente os Mebêngokrê estavam cercados por homens brancos e não havia mais floresta onde pudessem se esconder. Em uma reunião semelhante àquela ocorrida há 50 anos, os índios isolados decidiram procurar ajuda e andaram por dias até a aldeia Capoto.
Não se sabe exatamente o que vai acontecer a partir de agora.

(*) "amre bé" é uma expressão que inicia quase todas as histórias contadas pelos índios Kayapó

Para saber mais:
- A Marcha para o Oeste: a epopéia da expedição Xingu-Roncador; de Orlando e Cláudio Villas Bôas
- Os Mebengokre Kayapó: História e Mudança Social, capítulo escrito por Terence Turner para o livro "História dos Índios no Brasil", organizado por Manuela Carneiro da Cunha
- Mito e Vida dos Índios Caiapós; por Anton Lukesch


cocar "men okó"; índios Kayapó

Fonte : Iandé, Boletim n° 27 - janeiro/2008


Quebra-Cabeça Kayapó

Será que você tem jeito para línguas?

Tente resolver este pequeno quebra-cabeça. É muito fácil! Ele tem quatro exemplos em Kayapó, cada uma seguida por sua tradução em Português.
Abaixo, tem 6 sentenças: 4 em Kayapó e 2 em Português. Complete o que falta.

As respostas estão no final da página. Tente primeiro resolver para depois confirmar sua resposta.
Não cole...

Exemplos :

Imã kinh.        Eu gosto.       
Amã kinh. Você gosta.
Imã bày kinh.               Eu gosto de milho.       
Tyrti’ã dja. Ele pisou na banana.

Exercícios :

1. Amã bày djành. Você acha ________ delicioso.
2. Imã tyrti djành. __________________________.
3. Djãm amã tyrti djành?        Você _______________?
4. Imã tyrti djành kêt. Eu não ____________________.
5. Eu não gosto de milho. ______________________.
6. Ele pisou no milho? __________________________?





Respostas:

1. Você acha milho delicioso.
2. Eu acho bananas deliciosas.
3. Você acha bananas deliciosas?
4. Eu não acho bananas deliciosas.
5. Imã bày kinh kêt.
6. Djãm bày’ã dja?


- Beptopoop, indien kayapo du Brésil - Anne Gély - Illustrations de Guy Lillo - Beptopoop est une jeune indien kayapo. Il vit dans la forêt amazonienne, au Brésil, la vie rude de sa tribu, entre modernité et tradition… - Editions Grandir - Collection Les Hommes de la Terre - 2007 - Album en quadrichromie - 36 pages - ISBN : 2-84166-340-X - Prix : 15 €