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Bororo


O ritual funerário dos Bororo (MT) é um momento especial de socialização dos jovens.
Não só porque muitos deles são formalmente iniciados, mas, também,
porque é por meio de sua participação nos cantos, danças, caçadas e pescarias coletivas
que eles têm a oportunidade de aprender e perceber a riqueza de sua cultura.
© Kim-Ir-Sam, 1973.

Os Bororo perderam grande parte de seu território tradicional. Calcula-se que ocupavam cerca de 350.000 km2, hoje reduzidos a cerca de 132.500 ha, distribuídos em cinco áreas não contíguas, nem todas juridicamente demarcadas. Em termos demográficos, a redução foi igualmente drástica. No início deste século, calcula-se o total de sua população entre cinco e dez mil indivíduos. Hoje são aproximadamente 800. Eles mesmos se chamam de boe, termo que significa gente, pessoa humana. Nesses quase 300 anos de contato os Bororo puderam demonstrar que, apesar das enormes perdas sofridas, eles resistem e procuram se afirmar como um povo diferenciado, mantendo viva a sua cultura e sua complexa organização social.

Pode parecer paradoxal, mas é exatamente por meio do funeral que a sociedade Bororo reafirma a vitalidade de sua cultura. Este é um momento especial na socialização dos jovens, não só porque é nessa época que muitos deles são formalmente iniciados, mas também porque é por meio de sua participação nos cantos, danças, caçadas e pescarias coletivas, realizados nessa ocasião, que eles têm a oportunidade de aprender e perceber a riqueza de sua cultura. Mas porque fazer de um momento de perda, como a morte de uma pessoa, um momento de reafirmação cultural e, até mesmo de recriação da vida?

Para os Bororo, a morte é o resultado da ação do bope, uma entidade sobrenatural envolvida em todos os processos de criação e transformação, como o nascimento, a puberdade, a morte. Quando uma pessoa morre, sua alma, que os Bororo denominam aroe, passa a habitar o corpo de certos animais, como a onça pintada, a onça parda, a jaguatirica. O corpo do morto é envolto em esteiras e enterrado em cova rasa, aberta no pátio central da aldeia circular. Diariamente, esta cova é regada, para acelerar a decomposição do corpo, cujos ossos deverão, ao final deste processo, ser ornamentados. Entre a morte de um indivíduo e a ornamentação de seus ossos, que serão depois definitivamente enterrados, passam-se de dois a três meses. Um tempo longo, em que os grandes rituais são realizados. Um homem será escolhido para representar o morto. Todo ornamentado, seu corpo é inteiramente recoberto de penugens e pinturas, tendo em sua cabeça um enorme cocar de penas e a face coberta por uma viseira de penas amarelas. No pátio da aldeia já não é um homem que dança e sim o aroemaiwu, literalmente, a alma nova que, com suas evoluções, se apresenta ao mundo dos vivos.

Dentre as várias tarefas que cabem ao representante do morto, a mais importante será a de caçar um grande felino, cujo couro será entregue aos parentes do morto, num ritual que envolve todos os membros da aldeia. A caçada desse animal assegura a vingança do morto, por meio daquele que o representa, sobre o bope, entidade causadora da morte. Esse momento marca o fim do luto e indica a vitória da vida sobre a morte. Esses rituais criam e recriam a sociedade Bororo, revelando os mistérios de uma sociedade que faz da morte um momento de reafirmação da vida.

Sylvia Cayubi Novaes (USP)
Texto publicado no catálogo : O Índio Imaginado
Mostra de Filmes e Vídeos sobre Povos Indígenas no Brasil,
CEDI / SMC-SP, 1992, 63 pags.


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Não cole...

- 1
O homem foi à roça. Imedu uture boepato.
A mulher foi à roça. Aredu uture boepato.
O homem foi à aldeia. Imedu uture bato.

A mulher foi à aldeia. _______________________

- 2
O homem está na roça. Imedu rakojere boepa tada.
A mulher está na casa. Aredu rakojere bai tada.

O homem está na aldeia. _________________________

- 3
A mulher não está na casa. Aredu rakojekare bai tada.

A mulher não está na roça. _______________________

- 4
A mulher vive na casa. Aredu mugure bai tada.
O homem vive na aldeia. Imedu mugure ba tada.

O homem vive na roça. __________________________

- 5
Eu vivo na aldeia. Imugure ba tada.
Você vive na aldeia. Amugure ba tada.
Eu fui à roça. Iture boepato.

Você foi à roça. ____________________________

- 6
O homem fez a roça. Imedu ure boepa towuje.
O homem fez o arco. Imedu ure baiga towuje.

O homem fez a casa. _____________________________

- 7
O homem vai fazer a roça. Imedu umode boepa towuje.
A mulher vai viver na casa. Aredu mugumode bai tada.
A mulher irá à aldeia. Aredu utumode bato.

O homem vai estar na roça. ________________________

- 8
O homem matou o peixe. Imedu ure karo bito.
O homem vai matar o peixe. Imedu umode karo bito.
A mulher comeu o peixe. Aredu ure karo kowuje.

A mulher vai comer peixe. ________________________

- 9
A mulher comeu mandioca. Aredu ure jureu kowuje.
O homem foi à aldeia com o peixe. Imedu uture bato karo tabo.

A mulher foi para casa com a mandioca. _____________________

- 10
A mulher saiu da casa com a mandioca. Aredu uture bai piji jureu tabo.

O homem saiu da aldeia com o peixe. ________________________

- Respostas:
1. A mulher foi à aldeia. - Aredu uture bato.
2. O homem está na aldeia. - Imedu rakojere ba tada.
3. A mulher não está na roça. - Aredu rakojekare boepa tada.
4. O homem vive na roça. - Imedu mugure boepa tada.
5. Voçê foi à roça. - Ature boepato.
6. O homem fez a casa. - Imedu ure bai towuje.
7. O homem vai estar na roça. - Imedu rakojemode boepa tada.
8. A mulher vai comer peixe. - Aredu umode karo kowuje.
9. A mulher foi para casa com a mandioca. - Aredu uture baito jureu tabo.
10.O homem saiu da aldeia com o peixe. - Imedu uture ba piji karo tabo.


- Funeral Bororo - As cerimônias funerárias dos Bororo representam um padrão específico de enterro secundário: os corpos dos mortos são inumados (enterrados) envoltos em esteiras para serem posteriormente exumados (desenterrados) para a lavagem e decoração dos ossos depois do que são colocados em cestos sepultados fora da aldeia. O enterro secundário Bororo insere-se num conjunto complexo de outras práticas tais como danças, cantos, refeições comunitárias e destruição dos pertences dos mortos.


Esplendor plumário de um chefe clânico ao realizar os funerais dos seus parentes