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Sem peso político e com dificuldade de sobreviverem, línguas indígenas dependem da perseverança de pesquisadores
Estima-se que as línguas morram na razão de 25 por ano. Hoje, há pouco menos de 6 mil vivas. Nesse ritmo, no fim do século, teremos só a metade dos idiomas atuais. Qualquer língua falada por menos de 100 mil pessoas é considerada ameaçada. Todas as línguas e todos os dialetos indígenas no Brasil têm menos de 40 mil falantes.
A maioria (110) das 180 línguas indígenas atuais tem menos de 400 falantes. Outras 60 têm entre 400 e 3 mil pessoas que as usam. Há 12 línguas com mais de 3 mil usuários. Cabem nos dedos de uma só mão as que têm mais de 10 mil falantes: o tikuna, macuxi, terena e kaingang.
Línguas minoritárias, com populações de no máximo mil pessoas, representam três quartos (76%) das nossas línguas indígenas. X têm apenas um falante.
O professor da Unicamp Eduardo Guimarães acredita que a língua com um só usuário, na prática, já morreu. Nesses casos, o falante, diz Guimarães, terá um saber sobre esta língua, mas não a pratica mais. Com as outras pessoas ele vai usar a língua delas e o pesquisador que estuda o idioma será capaz de recolher as estruturas lingüísticas, mas não o funcionamento concreto daquela língua, afirma o professor. |