A falta de conhecimento mais profundo sobre as línguas indígenas deve-se (além da crônica carência de recursos para pesquisas) à falta de textos atuais e antigos escritos nestas línguas. Com exceção dos idiomas registrados pelos jesuítas desde o século XVI - o Tupi antigo, o Guarani antigo e o Kiriri - os textos que permitem o estudo aprofundado das línguas são apenas fragmentos, pois os povos indígenas sempre privilegiaram a transmissão oral de seus conhecimentos e poucos não-índios escreveram em línguas indígenas. Só em tempos recentes os próprios índios passaram a escrever suas experiências em suas línguas.
E para que serve o estudo das línguas indígenas, muitas delas faladas por poucas pessoas ? Um das razões é para entender os sistemas que todos os homens utilizam para explicar tudo o que está à nossa volta, pois os linguistas relacionam os vários idiomas que existem para entender o processo de criação da própria linguagem. Além disso, o estudo das línguas indígenas nos auxilia a formular hipóteses sobre o passado dos índios, como sua localização em tempos antigos e relações entre diferentes grupos indígenas.
- Que língua falam
os índios do Brasil ?
Existem mais de duzentas etnias indígenas
diferentes no Brasil e cada uma delas fala (ou já falou no passado) sua própria
língua. São utilizadas hoje, aproximadamente, 180 línguas diferentes. Há mais
povos indígenas do que línguas porquê alguns destes grupos perderam seus idiomas por completo.
- Todos os índios
falam a mesma língua ?
Não, pois cada uma das 180 línguas indígenas é
diferente da outra. Algumas destas línguas apresentam semelhanças, da mesma
forma que acontece entre o português e o espanhol. Entre outras línguas
indígenas porém, o grau de semelhança é nulo, como o que há entre o inglês e o
chinês, ou ainda, entre o português e o javanês.
- A língua dos
índios se chama Tupi-Guarani ?
Não, os nomes das línguas indígenas são os mesmos nomes usados para se referir às etnias que as utilizam (com exceções). O Tupi-Guarani nem é uma língua, mas sim um conjunto de línguas que apresentam semelhanças entre si, como a língua Tupi, a língua Nheengatu, a língua Tapirapé, a língua Guarani, etc... Os primeiros índios que os europeus encontraram no Brasil falavam línguas desta família Tupi-Guarani e permanece até hoje a falsa impressão que todos os povos indígenas falam Tupi-Guarani.

No começo do mundo havia dois irmãos: Andarob e Paricot
Andarob era mais velho e muito preguiçoso, vivia deitado. Paricot era mais novo e mais inteligente. Um dia ele resolveu criar o mundo, Paricot pensava nas coisas e elas começavam a existir. Certo dia, Paricot engravidou um cupinzeiro e toda a terra ficou grávida. Passaram dez meses, Paricot abriu a terra e de lá foi saindo um casal de cada povo que existe no mundo.
Paricot disse a seu irmão: - Andarob, eu vou ensinar uma língua só. Quando estiver quase para acabar, você ensina um pouquinho de sua língua.
Paricot saiu ensinando a língua Aruá aos índios, mas andou um pouquinho e seu irmão já foi ensinar outras línguas para os outros casais. Quando chegou no homem branco estendeu a mão e ensinou a dar a mão como fazem os que não são índios (os índios não dão a mão).
Andarob ensinou todos os tipos de língua que só ele sabe até hoje. Paricot sabia até mais, mas queria que todos falassem a mesma língua.
Para saber mais:
- Terra
Grávida; de Betty Mindlin e narradores indígenas (a história da origem das
línguas foi contada pelo senhor Awünaru Odete Aruá, um dos últimos falantes da
língua Aruá)

Quando um grupo de pessoas se separa, e os dois grupos resultantes não precisam mais se entender, as línguas faladas por cada um vão se ajustando às experiências diferentes pelas quais cada grupo passa. Depois de um tempo as línguas de cada grupo deixam de ser compreensíveis entre si e passam a constituir línguas diferentes, apesar de compartilharem a mesma origem.
Os linguistas classificam as línguas a partir de alguns aspectos: vocabulário, construção das palavras, construção das frases, etc... A língua portuguesa, por exemplo, tem grandes semelhanças com o espanhol, francês, italiano, entre outras. Isto porquê estas línguas são todas derivações do Latim falado há dois mil anos. Elas surgiram conforme os falantes do Latim foram migrando e misturando o Latim com outras línguas. O conjunto de línguas que partilham este determinado grau de semelhança é chamado de Família Linguística. O português, junto com estas línguas mencionadas, faz parte da família linguística Românica.
Há diversas outras famílias linguísticas: o Germânico (que inclui o inglês, alemão, sueco...), o Eslávico (que inclui o russo), entre outras. Quando estas famílias linguísticas compartilham algumas semelhanças, elas formam um conjunto maior que é chamado de Tronco Linguístico. A família Românica, na qual se inclui a língua portuguesa, pertence ao Tronco Linguístico Indo-Europeu. Em um passado remoto, havia uma língua que serviu de origem a todas as línguas que pertencem a este tronco linguístico.
O português, o inglês e até mesmo o persa e o grego são línguas do tronco linguístico Indo-Europeu, o que indica um certo grau de semelhança entre estas línguas. Existem outros troncos, como o Camito-Semítico (ao qual pertencem o árabe e o hebraico), o Uralo-Altaico (ao qual pertence o japonês), e outros. As semelhanças entre línguas de troncos linguísticos diferentes são quase nulas.
Para saber mais:
- A
aventura das línguas; de Hans Joachim Störig
As línguas indígenas faladas no Brasil são classificadas em quatro grandes grupos: os troncos linguísticos Tupi e Macro-Jê; e as famílias linguísticas Karib e Aruak.
Há outros grupos menores, que reúnem poucas línguas, e que não têm ligação com os quatro grandes grupos acima. E existem também algumas línguas indígenas isoladas, sem parentesco com nenhuma outra língua conhecida.
O tronco linguístico Tupi é o mais estudado. Acredita-se que a língua antiga que serviu como base a todas as outras línguas deste tronco era falada inicialmente em algum lugar entre os rios Madeira e Xingu, onde hoje fica o estado de Rondônia. Os falantes desta língua antiga começaram a se separar há 5 mil anos atrás.
Uma das famílias linguísticas deste tronco é chamada Tupi-Guarani. As línguas desta família começaram a se diferenciar há dois mil anos mas apresentam entre si um alto grau de semelhança. Uma característica marcante desta família é a mobilidade geográfica: encontraram-se índios que falam línguas do grupo Tupi-Guarani desde a fronteira entre Brasil e Bolívia, passando pelo Paraguai e subindo pela costa. Os povos que os portugueses encontraram na costa do Brasil no século XVI falavam línguas desta família. Os jesuítas portugueses documentaram fartamente a língua Tupinambá (também chamada Tupi antigo) que serviu como meio de comunicação entre europeus e índios no início da colonização. O Tupinambá exerceu uma influência forte na língua portuguesa falada até hoje no Brasil, principalmente no empréstimo de nomes de animais, plantas e lugares geográficos.
Um outro tronco linguístico é chamado de Macro-Jê. É um grupo menos estudado que o Tupi e as relações entre as línguas que o formam são mais distantes. Estima-se que estas línguas começaram a se separar há 6 mil anos, e que os grupos indígenas que as falavam permaneciam isolados, pouco se relacionavam entre si ao contrário do que faziam os falantes de Tupi. As línguas do Macro-Jê se concentram na parte central do Brasil. Dentro deste tronco linguístico há uma grande família chamada apenas de Jê e cujos falantes começaram a se dispersar em diferentes grupos há 3 mil anos.
Um terceiro grande grupo de línguas é chamado Karib. A maior parte de seus falantes está no norte do Brasil, na área de fronteira com as Guianas. É um grupo menos estudado do que o Tupi e o Macro-Jê. As línguas que formam o Karib são bastante próximas, indicando uma separação recente entre elas (de 2 a 3 mil anos). Pelo alto grau de semelhança, o Karib é considerado uma família linguística, porém não há outras famílias semelhantes a esta que possam formar um tronco linguístico. Há evidências de um alto número de empréstimos linguísticos nas línguas Karib, o que sugere que os falantes destas línguas poderiam ser uma conexão entre grupos linguísticos diferentes que mantivessem uma rede de comércio.
O quarto grande grupo de línguas indígenas do Brasil é chamado Aruak (ou Arawak) e também constitui uma família linguística. É outro grupo pouco estudado. Sabe-se que os falantes da língua começaram a se separar em algum lugar a oeste de onde viviam os falantes originais do Tupi e Macro-Jê . Alguns autores apontam a região onde hoje fica o Peru, como esta área de dispersão.
Fala-se em 180 línguas indígenas no Brasil, porém este é um número inexato devido à polêmica em se decidir se expressões linguísticas diferentes, usadas por comunidades indígenas separadas geograficamente, integram duas línguas diferentes ou dois dialetos de uma mesma língua.
Para saber mais:
- Línguas
Brasileiras: para o conhecimento das línguas indígenas; de Aryon Dall'Igna
Rodrigues
- A História da Cultura Brasileira segundo as Línguas Nativas; por
Greg Urban (capítulo do livro "História dos Índios no Brasil", organizado por
Manuela Carneiro da Cunha
- As Línguas Indígenas no Brasil; por Raquel F. A.
Teixeira (capítulo do livro "A Temática Indígena na Escola", organizado por
Aracy Lopes da Silva e Luís Donisete Benzi Grupioni
- Línguas Indígenas no
Brasil Contemporâneo; por Ruth Maria Fonini Monserrat (capítulo do livro "Índios
do Brasil", organizado por Luís Donisete Benzi Grupioni

- Gênero: Entre alguns grupos indígenas há diferenças entre a fala dos homens e a fala das mulheres. Isto acontece, por exemplo, entre os Rikbaktsa (Mato Grosso), Kadiwéu (Mato Grosso do Sul) e Karajá (Tocantins).
- Poliglotas: no noroeste do Amazonas, em afluentes do Rio Negro, convivem diversas etnias indígenas: os Tukano, Barasana, Wanana, Desana, etc... Os índios destes grupos praticam a exogamia, ou seja, um homem sempre se casa com uma mulher que não seja de seu próprio povo. Os filhos destes casamentos aprendem as línguas do pai e da mãe, que por sua vez também falam mais de uma língua. Neste ambiente multilinguístico todos os índios dominam de 3 a 8 línguas diferentes.
- Poliglotas: no norte da região amazônica existem alguns índios que falam inglês. Isto nada tem a ver com boatos que circulam na internet sobre americanos se apropriando da Amazônia, pois é bem mais simples a explicação: nesta área de fronteiras, relativamente pequena, convivem pessoas falantes de português (do Brasil), falantes de espanhol (da Venezuela), falantes de inglês (da Guiana), falantes de francês (da Guiana Francesa), falantes de sranan tongo (uma língua franca do Suriname) e mais duas dezenas de línguas indígenas. Alguns índios da região circulam entre estes países e acabam aprendendo várias línguas. Há verdadeiros índios poliglotas nesta região, que falam português, inglês, espanhol e mais três ou quatro línguas indígenas.
- Tupi: os primeiros europeus que chegaram ao Brasil, tiveram que aprender a língua dos índios da costa brasileira para que pudessem se comunicar. Esta língua é chamada Tupi antigo, Tupinambá ou ainda língua brasílica. Daquela época até a segunda metade do século XVIII a língua portuguesa era utilizada pelos membros do governo enquanto a língua Tupi era falada pela maioria da população. O Tupi se modificou com o tempo: do litoral paulista para o sul tornou-se mais próximo da língua Guarani, no século XVIII já havia sido bastante modificado por neologismos da língua portuguesa e no norte do país originou a língua Nheengatu a partir da simplificação gramatical do Tupi antigo somada a influências do português e de outras línguas indígenas da região do Maranhão e Pará.
- Tapirapé: Josimar Xawapare'ymi Tapirapé, professor de língua Tapirapé de sua aldeia, percebeu que os índios mais jovens utilizavam cada vez mais palavras em português no dia a dia. Uma das causas era a presença na aldeia de objetos feitos por homens brancos que não tinham nome na língua indígena. O professor e seus alunos passaram a criar neologismos para descrever estes objetos: quem falava "barco a motor" passou a falar tatayãroo que é a junção das palavras tatã (fogo), yãra (canoa) e towoo (grande)
- Kaapor: os índios Urubu-Kaapor falam uma língua da família Tupi-Guarani e desenvolveram também uma linguagem de sinais para surdo-mudos. Na década de 60 havia uma alta porcentagem de índivíduos Kaapor que nasciam surdos e por causa disso não aprendiam a falar. Havia um índio mudo para cada 75 não-mudos.
- Pirahã: os índios Pirahã, do Amazonas, falam uma língua da família Mura que está gerando polêmica entre os linguistas. Um dos campos da linguística é o estudo das propriedades básicas das línguas, aquelas características mínimas necessárias para o desenvolvimento do processo de comunicação. O etnólogo Daniel Everett publicou que a língua dos Pirahã é mais econômica, ou seja, tem menos elementos do que o que se julgava o mínimo necessário para se formar uma língua.
- Diferenças: se uma determinada língua indígena não tem uma palavra específica para definir um número (ou outra coisa qualquer), a cultura destes índios pode ser considerada mais atrasada que a cultura dos não-índios ? No grupo de discussões sobre a língua Tupi do yahoogrupos (http://br.groups.yahoo.com/group/tupi/) debateu-se há alguns anos sobre a veracidade de uma história indígena que mencionava sete índios que haviam criado o mundo. Como poderiam ser sete índios se nem existe uma palavra específica para o número sete na língua tupi ? Um número tão importante não mereceria uma palavra para batizá-lo ? Talvez não... Pode-se imaginar uma criança indígena ouvindo que "um grupo de índios criou o mundo". Ao ouvir isto a pergunta desta criança não seria "quantos índios criaram o mundo ?", mas sim: "quais índios criaram o mundo ?", ao que o contador da história diria o nome e talvez toda a descendência dos sete... ou trinta... ou cinquenta índios que criaram o mundo. A tendência a reduzir tudo o que existe a números está nos costumes dos não-índios.
- Pérola: "Piu Katin" é como os índios Kayapó chamam o dinheiro. O significado é "Folha Triste"
- Pérola: Expressão usada pelos índios Suruí-Paiter para se referir às esposas e aos maridos: "aquele/aquela-com-quem-eu-brinco-sempre"
|
TRONCO |
FAMÍLIA |
LÍNGUA
|
DIALETO |
LOCAL |
|
T
U
P
I |
T U P I
G U A R A N I |
Akwáwa | Asurini do Trocará (Akwáwa) |
Pará |
| Suruí do Tocantins (Mudjetire) |
Pará | |||
| Parakanã |
Pará | |||
| Amanayé |
Pará | |||
| Anambé |
Pará | |||
| Apiaká |
Mato Grosso
| |||
| Araweté |
Pará | |||
| Asurini do Xingu (Awaeté) |
Pará | |||
| Avá (Canoeiro) |
Goiás/Tocantins | |||
| Guajá |
Maranhão | |||
| Guarani | Kaiowá |
Mato Grosso
do Sul | ||
| Mbya (Mbuá, Mbia) |
RS/SC/PR/SP/RJ/ES | |||
| Nhandeva (Txiripá) |
RS/SC/PR/SP/RJ/ES | |||
| Kamayurá |
Mato
Grosso | |||
| Kayabi |
Mato
Grosso | |||
| Kokáma |
Amazonas | |||
| Nheengatu (Língua Geral Amazônica) |
Amazonas | |||
| Omágua (Kambeba) |
Amazonas | |||
| Parintintin | Diahói |
Amazonas | ||
| Júma |
Amazonas | |||
| Karipuna |
Rondônia | |||
| Parintintin (Kagwahiv) |
Amazonas | |||
| Tenharim |
Amazonas | |||
| Tapirapé |
Mato
Grosso | |||
| Tenetehara | Guajajara |
Maranhão | ||
| Tembe |
Maranhão/Pará | |||
| Uru-eu-wau-wau |
Rondônia | |||
| Urubu (Kaapor) |
Maranhão | |||
| Wajãpi |
Amapá | |||
| Xetá |
Paraná | |||
| Zo'é (Puturu) |
Pará | |||
| ARIKÉM | Karitiana |
Rondônia | ||
| JURUNA | Juruna |
Mato
Grosso | ||
| Xipaya |
Pará | |||
| MONDÉ | Aruá |
Rondônia | ||
| Cinta-Larga |
Rondônia | |||
| Gavião (Ikãrã, Digüt) |
Rondônia | |||
| Mondé (Sanamaikã, Salamãi) |
Rondônia | |||
| Suruí (Paiter) |
Rondônia | |||
| Zoró |
Mato
Grosso | |||
| MUNDURUKU | Kuruaya |
Pará | ||
| Munduruku |
Pará/Amazonas | |||
| RAMRÁMA | Arara (Uruku, Karo) |
Rondônia | ||
| Itogapúk (Ntogapid) |
Mato Grosso
| |||
| TUPARI | Makuráp |
Rondônia | ||
| Sakurabiat |
Rondônia | |||
| Tupari |
Rondônia | |||
| Wayoró (Ajuru) |
Rondônia | |||
| Aweti |
Mato
Grosso | |||
| Puruborá |
Rondônia | |||
| Mawé (Sateré) |
Amazonas/Pará | |||
|
TRONCO |
FAMÍLIA |
LÍNGUA
|
DIALETO |
LOCAL |
|
M A C R O - J Ê |
JÊ |
Akwén | Xakriabá |
Minas
Gerais |
| Xavante |
Mato Grosso
| |||
| Xerente |
Tocantins | |||
| Apinajé |
Tocantins | |||
| Kaingang |
RS/SC/PR/SP | |||
| Kayapó | Gorotire |
Pará | ||
| Kararaô |
Pará | |||
| Kokraimôro |
Pará | |||
| Kubenkrangnoti |
Pará | |||
| Kubenkrankêgn |
Pará | |||
| Menkrangnoti |
Pará | |||
| Tapayúna (?) |
Mato Grosso
| |||
| Txukahamãe (Mentuktire) |
Mato
Grosso | |||
| Xikrin |
Pará | |||
| Kren-akarôre |
Pará | |||
| Suyá |
Mato Grosso
| |||
| Timbira | Canela Apâniekrá |
Maranhão | ||
| Canela Ramkokamekrá |
Maranhão | |||
| Gavião Parkatejê |
Pará | |||
| Gavião Pykobyê |
Maranhão | |||
| Krahò |
Tocantins | |||
| Kreyé (Krenjé) |
Maranhão/Pará | |||
| Krikati |
Maranhão | |||
| Xokleng (Aweikoma) |
Santa
Catarina | |||
| BORORO | Bororo |
Mato Grosso
| ||
| Umutina |
Mato Grosso
| |||
| BOTOCUDO | Krenak |
Minas
Gerais | ||
| KARAJÁ | Javaé |
Goiás/Tocantins/Pará | ||
| Karajá |
Goiás/Tocantins/Pará | |||
| Xambioá |
Goiás/Tocantins/Pará | |||
| MAXAKALI | Maxakali |
Minas
Gerais | ||
| Pataxó |
Bahia/Minas
Gerais | |||
| Pataxó Hãhãhãe |
Bahia | |||
| Guató |
Mato Grosso
do Sul | |||
| Ofayé |
Mato
Grosso do Sul | |||
| Rikbaktsa |
Mato
Grosso | |||
| Yatê |
Pernambuco | |||
|
TRONCO |
FAMÍLIA |
LÍNGUA
|
DIALETO |
LOCAL |
|
K A R I B |
Apalai | Pará | ||
| Atroari | Amazonas/Roraima | |||
| Arara do Pará | Pará | |||
| Bakairi | Mato Grosso | |||
| Galibi do Oiapoque | Amapá | |||
| Hixkaryana | Pará/Amazonas | |||
| Ingarikó | Roraima | |||
| Kalapalo | Mato Grosso | |||
| Kaxuyana | Pará | |||
| Kuikuro | Mato Grosso | |||
| Makuxi | Roraima | |||
| Matipu | Mato Grosso | |||
| Mayongong (Makiritare, Yekuana) | Roraima | |||
| Nahukwá | Mato Grosso | |||
| Taulipang | Roraima | |||
| Tiriyó | Pará | |||
| Txikão (Ikpeng) | Mato Grosso | |||
| Waimiri | Amazonas/Roraima | |||
| Waiwai | Pará/AM/Roraima | |||
| Warikyána | Pará | |||
| Wayana | Pará | |||
|
A R U Á K |
Apurinã | Amazonas/Acre | ||
| Baniwa do Içana | Amazonas | |||
| Baré | Amazonas | |||
| Kâmpa | Acre | |||
| Mandawáka | Amazonas | |||
| Mehinaku | Mato Grosso | |||
| Palikur | Amapá | |||
| Paresi | Mato Grosso | |||
| Piro | Manitenéri | Acre | ||
| Maxinéri | Acre | |||
| Salumã (Enawenê-Nawê) | Mato Grosso | |||
| Tariana | Yurupari-Tapuyá | Amazonas | ||
| Terena | Mato Grosso do Sul | |||
| Wapixana | Roraima | |||
| Warakéna | Amazonas | |||
| Waurá | Mato Grosso | |||
| Yabaána | Amazonas | |||
| Yawalapiti | Mato Grosso | |||
| ARAWÁ | Banavá-Jafi | Amazonas | ||
| Deni | Amazonas | |||
| Jarawára | Amazonas | |||
| Kanamanti | Amazonas | |||
| Kulina | Acre/Amazonas | |||
| Paumari | Amazonas | |||
| Yamamadi | Amazonas | |||
| Zuruahá | Amazonas | |||
| KATUKINA | Kanamari | Amazonas | ||
| Txunhuã-djapá | Amazonas | |||
| Katukina do Biá/Jutaí | Amazonas | |||
| Kawawixi (?) | Amazonas | |||
| MÚRA | Mura | Amazonas | ||
| Pirahã | Amazonas | |||
| GUAIKURU | Kadiwéu | Mato Grosso do Sul | ||
| PANO | Amawáka | Amazonas (?) | ||
| Katukina do Acre | Acre | |||
| Kaxarari | Rondônia | |||
| Kaxinawá | Acre | |||
| Korubo | Amazonas | |||
| Marubo | Amazonas | |||
| Matis | Amazonas | |||
| Mayá | Amazonas | |||
| Mayoruna | Amazonas | |||
| Nukuini | Amazonas | |||
| Poyanawá | Acre | |||
| Yaminawá | Acre | |||
| Yawanawá | Acre | |||
| TXAPAKÚRA | Orowari | Rondônia | ||
| Torá | Amazonas | |||
| Urupá | Rondônia | |||
| Wari (Pakaanova) | Rondônia | |||
| NAMBIKWARA | Nambikwara do Norte | Tawandê | Mato Grosso/Rondônia | |
| Lakondê | Mato Grosso/Rondônia | |||
| Latundê | Mato Grosso/Rondônia | |||
| Mamaindê | Mato Grosso/Rondônia | |||
| Nagarotú | Mato Grosso/Rondônia | |||
| Nambikwara do Sul | Munduká | Mato Grosso | ||
| Galera | Mato Grosso | |||
| Kabixi | Mato Grosso | |||
| Nambikwara do Campo | Mato Grosso | |||
| Sabanê | Mato Grosso | |||
| TUKANO | Arapaso | Amazonas | ||
| Barasana | Amazonas | |||
| Desana | Amazonas | |||
| Juriti | Amazonas | |||
| Karapanã | Amazonas | |||
| Kubéwa | Amazonas | |||
| Pirá-tapuya | Amazonas | |||
| Suriana | Amazonas | |||
| Tukano | Amazonas | |||
| Tuyuka | Amazonas | |||
| Wanana | Amazonas | |||
| Yebá-masã (Makuna) | Amazonas | |||
| YANOMAMI | Ninám | Roraima | ||
| Sanumá | Roraima | |||
| Yanomán | Roraima | |||
| Yanomami | Amazonas/Roraima | |||
| MAKÚ | Bará | Amazonas | ||
| Guariba (Wariía-Tapuya) | Amazonas | |||
| Húpda | Amazonas | |||
| Kamã (Dow) | Amazonas | |||
| Nadeb | Amazonas | |||
| Yahúp | Amazonas | |||
|
LÍNGUAS ISOLADAS |
Aikanã | Rondônia | ||
| Arikapú | Rondônia | |||
| Awaké | Roraima | |||
| Irantxe | Mato Grosso | |||
| Jabuti | Rondônia | |||
| Kanoê | Rondônia | |||
| Koaiá | Rondônia | |||
| Máku | Roraima | |||
| Trumai | Mato Grosso | |||
| Tikuna | Amazonas | |||
Source : Iandé - Casa das Culturas Indígenas