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Iandé - Arte com História, a arte do Brasil feita em comunidades tradicionais
Boletim de Histórias - número 7: 27/fevereiro/2006

Ritos Funerários

A morte é encarada, na maioria das sociedades, como uma passagem desse mundo para um outro. Diversos grupos indígenas realizam elaborados ritos funerários, que além de cultuar o espírito do morto, servem como celebração da identidade do povo.

Os índios do Alto Xingu realizam, uma vez por ano, uma grande festa a que chamam Kuarup. Na festa, os índios relembram a lenda do primeiro herói que caminhou pela terra, Mavutsinin, que reviveu os mortos a partir de troncos de árvores. No Kuarup, além de chorar os mortos, os índios reúnem várias aldeias e realizam uma grande festa onde ocorrem disputas esportivas.

Para os índios Bororo, dos cerrados do Mato Grosso, os ritos funerários são os mais importantes de sua cultura. Os funerais duram meses, e durante esse tempo são realizados outros ritos de passagem, como a puberdade dos meninos. Os Bororo consideram que o mundo torna-se incompleto com a morte de uma pessoa e precisa ser "recriado" quando isso ocorre. É isso que acontece em seus funerais.

Os índios Kaingang, do sul do Brasil, também realizam uma complexa homenagem aos mortos recentes, que ocorre anualmente entre abril e junho: a festa do Kikikoi. São três noites - não seguidas - de festa. Após as homenagens aos mortos, os índios dançam por toda a noite, embalados por Kiki, uma bebida fermentada feita com água, mel e açúcar.

Um dos mais complexos ritos funerários, que hoje deixou de ser realizado, é o que era feito pelos índios Wari (também chamados Pakaa-Novas), de Rondônia. Eles comiam os próprios mortos. Além disso queimavam os cabelos e órgãos internos do morto, e mudavam o aspecto da casa onde ele vivia e dos lugares onde costumava ir. A explicação que davam para isso, é que o espírito sentia saudades desse mundo, e portanto os vivos tratavam de cortar todas as lembranças que pudessem fazer com que o espírito desejasse voltar à terra, inclusive seu próprio corpo. Logo após o contato com os não-índios, na década de 60, os Wari abandonaram esse costume e hoje em dia enterram seus mortos. Mas os índios mais velhos consideram o enterro como uma falta de respeito.