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História das Favelas


O Brasil se chama Brasil devido ao pau Brasil. Por mais curioso que possa parecer, favela é também nome de uma árvore !

Favelas são assentamentos humanos espontâneos e não convencionais, por isso carentes de arruamento e serviços de saneamento básico, nos quais as habitações são construídas geralmente pelos próprios moradores, em áreas de domínio público ou em propriedades particulares abandonadas. As favelas surgem quase sempre em terrenos de menor valor imobiliário, situados em encosta ou sujeitos a inundação.

A primeira favela surgiu no Morro da Providência, no Rio de Janeiro, junto à Central, no início do século. Sua população era formada pelos (soldados) sobreviventes da Guerra de Canudos, que foram autorizados a construir barracos em terrenos sem valor de mercado, como recompensa aos serviços prestados à Pátria. Em Canudos, na Bahia, havia uma encosta chamada de Morro da Favela, que, por sua vez, é uma planta típica das caatingas. O nome Favela teve aí a sua origem. E a partir daí a palavra "favela" passou a ter um significado tão simbólico do Brasil quanto as cores verde e amarela.
A Favela [Cnidoscolus phyllacanthus (Muell. Arg.) Pax et K. Hoffm] é uma árvore (Fig. 1) nativa do Brasil, que ocorre na região semi-árida. Apresenta extraordinária resistência à seca, pertence a família Euphorbiaceae, com fruto tipo cápsula tricoca, deiscente (Fig. 2). Uma característica marcante da espécie é a presença de espinhos, que é abundante e sua picada causa sensação desagradável a pessoas que, inadvertidamente, tocam as suas extremidades pontiagudas.
Pode ser usada para alimentação animal e humana. A folha madura e a casca servem de forragem aos caprinos, ovinos, asininos e bovinos e suas sementes (Fig. 2), podem ser utilizadas na avicultura e suinocultura.
Na dieta humana a espécie apresenta-se como uma alternativa para a produção de óleo comestível e de farinha (conhecida popularmente como "fuba de favela"), esta rica em sais minerais e, principalmente, em proteínas. A casca da favela é usada na medicina popular como cicatrizante. Estudos recentes apontam a importância da planta para extração de produtos farmacêuticos para a fabricação de remédios antibióticos e analgésicos.
Outras referências sobre a importância econômica da espécie estão no seu uso energético, serraria e na recuperação de áreas degradadas.
O estudo com a favela foi iniciado em 1937 pelo botânico Phylipp Von Lutzelburg. Este botânico estudou o xerofilismo da vegetação nordestina, esclarecendo porque as plantas resistem à seca e ressurgem fisiologicamente com folhas, flôres e frutos, mal aparecem as primeiras chuvas. Na década de 70 a Universidade Federal do Ceará iniciou o estudo com a favela e atualmente várias instituições do nordeste muitas vezes em parceria com instituições do Sudeste, vem desenvolvendo trabalhos científicos com esta espécie oleaginosa.


- Favela: Alegria e Dor na Cidade, de Jorge Luiz Barboza e Jailson de Souza e Silva - Favela, alegria e dor na cidade traz à tona, num momento mais do que oportuno, uma questão tão antiga quanto o preconceito: quando o assunto é moradia, a favela é problema ou solução? A pergunta mascara outra dúvida imanente: o que é a favela, afinal? Tais questões (nos morros cariocas do século XIX os barracões já não eram raros, lembram os autores) ganham aqui um olhar atento e apurado. Olhar de dentro, de quem já viveu na pele as dificuldades -e e alegrias - de uma favela. - Editora Senac Rio - 2005 - 229 páginas - ISBN 8587864858 - R$ 37,00 - Leia o artigo da Globo Online du 26/1/06

- O repórter Leonardo Lichote preparou uma seleção musical que reúne as representações da favela na música brasileira, do samba ao funk, cantada do alto ou do asfalto, como lamento ou exaltação.

- O fotógrafo J. R. Ripper narra um slideshow com imagens das favelas produzidas pelos próprios moradores, todos eles alunos da Escola Imagens do Povo, oficina de fotografia que Ripper ministrou em comunidades do Rio de Janeiro.