
Capim Dourado
O artesanato de capim dourado chegou ao Jalapão em meados de 1920
pelas mãos de índios Xerente. A arte foi aprendida por moradores da
comunidade quilombola da Mumbuca e, desde então, é passada de
geração em geração nas comunidades jalapoeiras.
Apesar do nome, o capim dourado não é propriamente um capim e
sim uma sempre-viva, planta da família das Eriocaláceas, cujo nome científico
é Syngonanthus nitens. Os pequenos maços de hastes do capim dourado são
costurados com uma fibra fina e resistente obtida de folhas novas da palmeira
buriti (Mauritia flexuosa). Essas duas espécies ocorrem naturalmente no Cerrado
do Brasil Central e são muito abundantes no Jalapão. Sua característica principal é a cor que lembra a do ouro.
Comunidades fazem manejo sustentável do capim dourado
A coleta do capim requer cuidados especiais para que a espécie possa continuar a existir e ser usada pelas futuras gerações. Por exemplo, o capim só pode ser colhido maduro, quando as hastes já estão secas e com a coloração típica. Somente nessa fase é que as sementes estão maduras e prontas para germinar. A retirada do capim ainda verde prejudica a espécie, uma vez que causa a morte da planta, tornando a regeneração impossível.
Bem coletado, bem usado e respeitado em sua integridade, o capim dourado poderá continuar ajudando muitas comunidades a sobreviver de maneira digna e com respeito à natureza. Então é importante saber qual é a origem e como está sendo coletado o capim dourado do artesanato que se vai adquirir. Os casos de desrespeito à lei devem ser denunciados aos órgãos ambientais. Mas o consumo consciente de produtos da biodiversidade do Cerrado é a forma mais legal para se ajudar a sua conservação.
O brilho dourado e fascinante do capim inspira a produção de peças utilitárias e ornamentais. Essa tradição vem de longa data. Acredita-se que os moradores da região central do Jalapão aprenderam a arte de trabalhar o capim dourado provavelmente com os índios da etnia Xerente, que passaram pela região há quase um século.
Inicialmente, os artesãos faziam peças para o uso cotidiano das comunidades, quando poucos habitantes do Jalapão dominavam a técnica. Com a chegada do ecoturismo e a divulgação do artesanato pelo governo estadual - que escolheu o capim dourado como um dos símbolos do Tocantins - a arte foi assimilada por praticamente todas as comunidades tradicionais da região.